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Site Centenário do Regicídio: Túmulos do Rei Dom Carlos e do Príncipe Dom Luís Filipe verdadeira tragédia do Regicídio! As vítimas do Crime do Terreiro do Paço em 1 de Fevereiro de 1908. Quem são afinal, para nós, Portugueses?... Dizemos "Portugueses" e não apenas "monárquicos"... O Crime do Regicídio é uma causa defendida pelos monárquicos e como tal apreendida pela Opinião Pública. Mas é preciso esclarecer que os monárquicos são, antes de mais, Portugueses e é como Portugueses, que nos insurgimos contra o que o Regicídio foi e representa no contexto da nossa História, no panorama político e social da República e na Opinião Pública em geral.

Quem são, portanto, as vítimas?!... A resposta é aparentemente simples. Toda a gente sabe que o Rei Dom Carlos e o Príncipe Herdeiro Dom Luís Filipe tombaram ambos, vítimas mortais sob o fogo republicano de Manuel Buiça, Alfredo Costa e seus companheiros da Carbonária.

A resposta porém, a verdadeira resposta que deve ser fornecida com coragem e desassombro, desafiando a hipocrisia de uma república que ignora o acto ignóbil, desafiando a hipocrisia de uma Imprensa frquentemente indiferente e que toma partido, desafiando a lógica falsa do pragmatismo à portuguesa que tantas vítimas tem feito ao longo dos anos... A resposta é simples:

As vítimas do Crime do Regicídio foram TODOS NÓS! Esta é a verdadeira tragédia do Regicídio. Por onde começar então?

Comecemos pelo lado mais restrito da questão, aquele que é o mais visível,... A Família Real e aqueles que lhe eram mais próximos.

Comecemos por Dona Maria Pia de Sabóia, Rainha viúva de Dom Luiz, Rei de Portugal, Mãe do Rei assassinado Dom Carlos, Avó doRainha Dona Maria Pia de Sabóia, perdeu um filho e um neto! Infâmia! Príncipe assassinado, Dom Luís Filipe. Chamada à Rua do Arsenal naquele fim de tarde do dia de Fevereiro de 1908, deparando-se com o horrível espectáculo dos cadáveres dos seus, estendidos num colchão no sobrado e numa maca, ensopados - literalmente!!! - em sangue, as marcas de pegadas dos presentes, no sangue derramado no sobrado, carimbos vivos das testemunhas que naquele dia testemunharam o caso mais ignóbil da História de Portugal. Lembremos Maria Pia de Sabóia, a Rainha Avó, que depois se levantava de noite, no Paço, para ir espreitar o quarto do neto assassinado, para se certificar de que dormia em paz, uma demência que havia de piorar, quando desgostosa de não encontrar o neto no quarto a dormir, regava as flores dos tapetes das salas do Paço Real, com água, julgando tratar-se de flores reais. Lembremos Maria Pia, em 1910, abandonada, já idosa, pelos republicanos do golpe de estado de 5 de Outubro de 1910, rumo a um destino que não quis. Lembremos Maria Pia, enfim só em Itália, minutos antes de morrer, em 1911, pedindo que lhe dissessem para que lado da cama estava Portugal, para que pudesse morrer virada para Portugal, onde tinha deixado os seus mortos... O marido, o Rei Dom Luis, o filho assassinado, o Rei Dom Carlos e um neto assassinado, o Príncipe Dom Luis Filipe.

Perguntamos aos hipócritas que recordam tão vivamente os heróis da chamada "revolução republicana", quantos gostariam de se ver nas circunstâncias de Dona Maria Pia de Sabóia! É de lamentar que se tenha feito o que se fez. A desumanidade do novo regime português não tem perdão possível. É uma desumanidade discriminatória, criminosa, infame!

Rainha Dona Amélia, em 1938.Passemos à Rainha Dona Amélia, mulher do Rei assassinado e mãe do Príncipe abatido no Terreiro do Paço. Vítima vezes infinitas de calúnia e de abuso verbal, de infâmia, perpetradas por uma Imprensa corrupta e não isenta, urdidas pelo republicanismo rasca e de mão-baixa do início do Século XX. No dia do Regicídio, vítima de um crime. A seguir, vítima de não se ter feito justiça, condenando os criminosos. Em 1910 vítima de expulsão e exílio rumo a um destino que desconhecia e nem sequer desejava, ao fim de anos e anos de serviço ao País. Durante anos, já no exílio, vítima de umas saudades terríveis de Portugal, onde tinha deixado os seus mortos. Sacrificada, sem que se tivesse em conta o valor da condição humana que a todos assiste ou devia assistir, de maior consideração pelos serviços inegáveis que prestou a Portugal. Rainha de Portugal pelo casamento, Regente de Portugal na ausência do Rei, dizia que "quand on est dans le métier, on ne lâche jamais". Primeiro o dever para com a Nação, depois o resto! Uma LIÇÃO útil no Portugal dos dias de hoje, sem dúvida!

No exílio, no pequeno palacete de Chesnais, perto de Versailles, onde viveu até à morte, falou a Língua Portuguesa sem o mais pequeno sinal de sotaque francês, recordava Portugal sempre. Durante anos e anos, foi voluntária nesses tempos de exílio forçado, e no mais completo anonimato, fazia os pensos aos cancerosos nos hospitais de Paris. A propósito de Portugal, dizia Dona Amélia - "Recordar?!... Recordar é ter esquecido uma vez! E eu nunca esqueci!". E acerca do trabalho que desenvolvia, anónima, nos hospitais de Paris, comentava - "(...) Enxugar as lágrimas alheias é esquecer um pouco as próprias lágrimas". Em 1938, em entrevista concedida a Rainha Dona Amélia, 1951. Haveria de morrer nesse ano, a 25 de Outubro.Leitão de Barros em Versailles, recordando brevemente os acontecimentos do Regicídio e do golpe de estado de 1910, respondeu - lágrimas rolando-lhe pelo rosto sem qualquer constrangimento, conforme testemunhado pelo jornalista - "Para quê afinal?... Tudo passou, tudo acabou, para eles (marido e filhos) e para mim (...) Lembro-me de tudo como se fosse hoje... Os primeiros dias, o último dia". E quando o jornalista, curioso, Lhe perguntou se gostaria de voltar a Portugal, respondeu com um sorriso - "Voltar?... Mas se o meu coração está sempre lá, meu amigo!".

A Rainha Dona Amélia, de todas as vítimas imediatamente próximas do Rei e do Príncipe, não deixa de nos tocar e impressionar especialmente. É imperativo que neste Site Memorial do Regicídio, os portugueses tomem conhecimento de um testemunho desta grande Rainha de Portugal, testemunho de verticalidade e de verdade, mantido sempre por Dona Amélia até à morte, em que encarecidamente pediu que se honrasse a memória de Dona Maria Pia e se fizesse justiça a ela própria, em virtude da mais infame mentira de todas as mentiras, proferida pela república e nunca desmentida até hoje, de que a Família Real fugiu...

"Os Braganças não fugiram para Gibraltar! Embarcaram para o Porto!

E muito menos o iate real rumou ao Sul, por haver duas rainhas a bordo a chorar.

NÃO! Honra à memória da Rainha Maria Pia! E justiça! Só justiça a mim!

Não chorámos! Não pedimos, não tivemos medo! Ao contrário!...

Se houve um comandante com medo de morrer,

não houve duas rainhas com medo de ficar!"

A este respeito, a AIMP- Aliança Internacional Monárquica Portuguesa e os organizadores deste site evocativo do Centenário, em reparação e protesto contra a mentira republicana, formal e firmemente desmentida pela Rainha Dona Amélia, publicamos como acima se descrevem, as palavras proferidas por Dona Amélia em 1938! São palavras repetidas inúmeras vezes, recebidas pela surdez republicana e pela mudez inexplicável da Imprensa. Seria útil que este comportamente atroz e atávico desse lugar à justiça que o testemunho de Dona Amélia certamente merece. O testemunho da Rainha Dona Amélia, um grito sonante em busca de justiça, está confirmado por carta datada de 21 de Julho de 1932, assinada pelo Comandante do Iate Real, o Capitão-de-Mar-e-Guerra Velez Caldeira, em que este confirma ser o responsável pela rota, rumo a Gibraltar. Acaso preferirá o presente regime continuar obstinadamente a ser SURDO?... Ou convém que os portugueses continuem a pensar que a Casa Real Portuguesa foi cobarde na hora H?...

Dona Amélia, falecida neste mesmo dia da foto, 25 de Outubro de 1951O reconhecimento português da dedicação de Dona Amélia veio, mas tarde. A brutalidade nojenta e torpe do Regicídio, a infâmia da expulsão e o exílio forçado, deixaram a sua marca para sempre e à medida que Dona Amélia se aproximava do fim, sofria de alucinações, reconhecendo por erro no seu Adjunto, o grande monárquico e grande Português, Capitão Júlio da Costa Pinto, o rosto ensanguentado do Filho, assassinado em Lisboa em 1908. Um erro, sem dúvida fruto da idade, mas também do trauma que não cicatrizou nunca, vem a ter expressão dramática durante um novo encontro com Leitão de Barros, que se tinha deslocado a Versailles para entrevistar a Rainha pela última vez.

Tomada de súbito de uma comoção forte, as mãos da Rainha crispam-se nas mãos de Leitão de Barros, que Lhe tinha agradecido o esforço da entrevista, momentos antes. A Rainha, comovida, responde - "Esforço?! Qual esforço?... Isto não é nada! Esforço foi toda a minha vida por vocês (por nós, Portugueses!)!... Marido, filho, felicidade, alegria, uma vida inteira, tudo isso sim, foi esforço... Luiz, o meu filho... O meu querido filho!... O meu pobre filho!...".

"Quero bem a todos os Portugueses, mesmo àqueles que me fizeram mal (...) Sofro tanto... Adeus...". Palavras, as últimas que a Rainha Dona Amélia lucidamente proferiu, antes de falecer... Deixamos pois aqui este apontamento, para que se não esqueça na nossa memória colectiva a personalidade única e inconfundível, da última Rainha reinante de Portugal, uma Dignidade e Sentido de Estado patentes em todas as palavras da Soberana, uma Lição de Sentido de Dever para com a Causa Pública, de que são exemplos o Instituto Camera Pestana, a Assistência aos Tuberculosos, o Museu Nacional dos Coches e muitas outras iniciativas de desenvolvimento e tantas áreas diferentes, como por exemplo o Comité Olímpico Português (em conjunto com o Rei Dom Carlos), ou o encorajamento e abertura de novasFuneral da Rainha Dona Amélia em São Vicente de Fora, 1951. Corporações de Bombeiros.

Mas o rol de vítimas não acaba aqui. Capitão Júlio da Costa Pinto, na foto, um bravíssimo herói das lutas de Monsanto, junto da Rainha falecida e muitos outros que escolheram o exílio para acompanhar os membros da Família Real no exílio.

Pese embora o risco de não mencionar todos quantos devíamos mencionar, cabe-nos mencionar explicitamente o Marquês de Lavradio (o mais fiel, disse a Rainha Dona Amélia em 1945), Condes das Galveias, Condes da Ponte, Condes de Lavradio, Condes de Figueiró, o Marquês de Soveral, os Condes de Sabugosa, Dom Sebastião de Lencastre, os Duques de Palmela, os Viscondes de Asseca, a Condessa de Seisal, a Viscondessa de Asseca, a Condessa de São Lourenço, a Condessa de Arnoso, os Marqueses de Belas (a Marquesa de Belas acompanhou Dona Maria Pia de Sabóia em Itália), a Marquesa de Tancos, os Condes de Vale de Reis, o Conde de Santiago e o Capitão Júlio da Costa Pinto. A lista não é exaustiva e pedimos desculpas antecipadas por algum esquecimento involuntário.

Menção especial ao Dr Tomaz de Mello Breyner, 4º Conde de Mafra, amigo do Rei Dom Carlos e médico da Família Real, a quem dedicamos esta nota, conhecedores que estamos do facto de ter sido o Dr Mello Breyner quem teve o penoso encargo de embalsamar os cadáveres do Rei Dom Carlos e do Príncipe Dom Luís Filipe. Quanto custará o encargo e pesadelo de embalsamar o corpo de um amigo íntimo como era Dom Carlos?...

Camera Ardente de Dona Amélia dura 30 dias. O Povo Português acorre em centenas e centenas de milhar a São Vicente de Fora!E as centenas de funcionários, militares, pessoal da Casa Real, todos ou quase todos vítimas?... E aqueles cuja contribuição extraordinária permitiu completar o Processo do Regicídio, o Juíz Almeida Azevedo e o Escrivão Abílio Magro. Esforço inútil! Roubado o Processo do Regicídio, não se fez justiça.

Gostaríamos também de lembrar as gentes da Ericeira, e aqueles remadores, que lavados em lágrimas viram partir a Família Real.

Mas sobretudo e acima de tudo, os Portugueses...

Vítimas da anarquia, da fome, da bancarrota na I República! Dezasseis anos de desordem e de miséria, de abuso. Afinal os 800.000 pães de pataco que os comícios republicanos demagogicamente prometiam ao Povo, com o dinheiro dos adiantamentos do Erário à Casa Real, não se cumpriram. Nem mesmo à conta da expropriação indevida de propriedade privada, incluindo propriedade estrangeira, nada escapou à infâmia de se pôr o País a saque, de que dão testemunho os inúmeros protestos dos governos estrangeiros, bem documentados na imprensa estrangeira.

Vítimas da inevitável viragem de 1926. Vítimas de novo, em 1932 porque o Rei Dom Manuel II, a única hipótese que os Portugueses tinham de que o País regressasse à normalidade democrática, morre prematuramente a 2 de Julho desse ano.

Vítimas do Estado Novo, firmado agora pela Constituição de 1933. Era o fim da democracia, de vez! Para não mais voltar senão em 1976.

Vítimas, afinal, do atraso conjuntural resultante de toda a desordem verificada entre 1910 e 1976. Sessenta e seis anos de ABUSO! Que agora se tenta recuperar, entrados que estamos no Século XXI, tentando a todo o custo fazer o que todas as monarquias democráticas europeias, com paz e serenidade conseguiram fazer durante o Século XX.

Vítimas de uma mordaça, concordamos. Mas não da mordaça da Ditadura do Estado Novo. Esta é a desculpa barata e fácil de quem não quer que descortinemos a maior mordaça de todas, a própria república, causa primeira e agente activa do trágico desenrolar da História do Século XX Português, de sub-desenvolvimento, de falta de democracia, de ausência de cultura cívica, de atavismo e de perda de oportunidades, umas após outras.

Neste Site Memorialo do Regicídio, reflectimos sobre o nosso percurso colectivo...

Erguemos porém a voz da esperança e da fé inabalável num futuro que há-de sorrir. É a melhor forma de relembrar o Regicídio... De cabeça erguida, olhando o futuro, conservando na memória 765 anos de monarquia reinante, na esperança serena de que em verdadeira Democracia, consigamos enfim emendar o erro e repôr a Verdade que falta. Talvez então, em vez de recordar os mortos, possamos finalmente celebrar o Portugal vivo, Nação vibrante e de futuro, o futuro que Portugal merece.

Viva a Monarquia! Viva Portugal!n

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